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Escritura x matrícula: entenda a diferença e por que isso importa na compra de um imóvel

“O imóvel tem escritura.”

Essa frase é bastante comum em negociações imobiliárias. Mas ela, sozinha, não responde a uma das perguntas mais importantes de uma compra e venda:

Quem é o proprietário registrado e qual é a situação jurídica atual do imóvel?

Para entender isso, é fundamental diferenciar escritura pública de matrícula do imóvel.

Escritura e matrícula não são a mesma coisa

Embora os dois documentos estejam relacionados às operações imobiliárias, eles possuem funções diferentes.

O que é a escritura pública?

A escritura pública é um instrumento elaborado pelo Tabelionato de Notas para formalizar determinados negócios jurídicos.

Em uma compra e venda, por exemplo, a escritura pode formalizar a manifestação de vontade do vendedor e do comprador e as condições do negócio.

Mas existe um ponto fundamental:

A escritura não deve ser confundida com o registro da propriedade.

O Código Civil estabelece que a propriedade imobiliária é transferida entre vivos mediante o registro do título no Registro de Imóveis. Enquanto esse registro não ocorre, o alienante continua sendo considerado proprietário perante o registro imobiliário.

Por isso, dizer simplesmente que determinado imóvel “tem escritura” não é suficiente para concluir que a situação registral esteja regular ou atualizada.

E o que é a matrícula?

A matrícula é o registro individualizado do imóvel mantido pelo Cartório de Registro de Imóveis competente.

É nela que ficam registrados os atos que constituem, transferem, modificam ou afetam os direitos relacionados ao imóvel.

De forma simplificada, podemos pensar assim:

Escritura → formaliza o negócio jurídico.

Registro na matrícula → dá publicidade e produz os efeitos registrais da transferência, conforme o caso.

A matrícula também permite acompanhar o histórico registral do imóvel e identificar informações relevantes para uma negociação.

Por que a matrícula atualizada é tão importante?

Imagine que o proprietário apresente uma escritura antiga e diga:

“O imóvel está todo documentado.”

Isso pode ser verdade, mas ainda existe uma pergunta essencial:

O que consta hoje no Registro de Imóveis?

Entre a lavratura de uma escritura e o momento atual podem ter ocorrido diversos fatos.

O imóvel pode, por exemplo, ter sido vendido posteriormente, recebido em inventário, submetido a uma garantia, ter uma penhora registrada ou possuir outra informação relevante.

É justamente por isso que a análise da matrícula atualizada pode reduzir riscos antes que a negociação avance.

O próprio sistema eletrônico de Registro de Imóveis permite a solicitação de certidões e a visualização eletrônica das matrículas, facilitando o acesso às informações registrais.

Duas situações em que isso pode fazer diferença

1. Antes de concluir uma compra e venda

Para o comprador, conhecer a situação registral atual do imóvel antes de avançar na negociação pode ajudar a identificar situações que precisam ser esclarecidas ou solucionadas.

Isso permite que eventuais questões documentais sejam tratadas antes da assinatura definitiva ou da movimentação de valores, reduzindo o risco de uma surpresa durante o processo.

Para o vendedor, a verificação antecipada também pode ser útil, pois, se existir alguma pendência registral, descobrir isso no início permite buscar uma solução antes que o imóvel esteja sendo negociado com um comprador já decidido a fechar o negócio.

Documento analisado antes da negociação pode evitar problema durante a negociação.

2. Em uma compra financiada

Em uma aquisição com financiamento imobiliário, a documentação do imóvel ganha ainda mais importância.

A instituição financeira precisa analisar a operação e a garantia imobiliária. A situação registral do imóvel, portanto, faz parte desse processo.

Uma matrícula que apresente, por exemplo, uma garantia ou outro registro que precise ser solucionado pode exigir providências antes que a operação avance.

Isso significa que a análise antecipada pode ajudar a evitar um cenário bastante desagradável:

Comprador e vendedor chegam a um acordo, o negócio parece fechado, mas surge uma questão documental durante a análise do financiamento.

Quanto antes a situação for conhecida, maior a possibilidade de resolver o problema sem comprometer a negociação.

Então, qual documento devo pedir?

A resposta não é simplesmente escolher entre escritura ou matrícula.

Dependendo da situação, os documentos podem cumprir funções diferentes e ambos podem ser relevantes (para saber mais veja: Certidões Imobiliárias: Quais são, para que servem e como elas protegem Compradores e Vendedores).

Mas, quando o objetivo é conhecer a situação registral atual do imóvel, a matrícula atualizada é fundamental.

Por isso, diante de uma negociação imobiliária, uma pergunta melhor do que:

“O imóvel tem escritura?”

é:

“Podemos verificar a matrícula atualizada e analisar a situação registral do imóvel?”

Essa simples mudança de perspectiva pode fazer diferença na segurança da negociação.

Informação antes do negócio é prevenção de riscos

Uma negociação imobiliária envolve valores elevados e decisões que podem produzir efeitos por muitos anos.

Por isso, não basta olhar apenas para o imóvel, seu preço ou suas características físicas.

A documentação também faz parte do imóvel que está sendo negociado.

E conhecer a situação registral antes de avançar pode ajudar comprador, vendedor e profissionais envolvidos a tomar decisões com mais segurança.

Comprar ou vender um imóvel não deve ser apenas uma questão de encontrar um bom negócio. É também saber exatamente o que está sendo negociado.

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